A Polícia Civil concluiu a investigação sobre o plano de Eduarda dos Santos Lopes, a Duda, filha de Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, para retomar a favela da Zona Sul do Rio com auxílio de traficantes paulistas, e a Justiça decretou a prisão preventiva de todos os traficantes envolvidos na trama. Além de Duda, também tiveram as prisões decretada Nem; Adriano Cardoso da Silva, o Modelo, namorado de Duda; o traficante de armas José Adailton de Lima Silva; e dois traficantes da facção paulista, Joelton Gomes de Souza e Rafael Quatroni de Oliveira.
Segundo a decisão da juíza Daniella Alvarez Prado, da 35ª Vara Criminal, “as condutas investigadas e filmadas denotam que os investigados pretendem, supostamente, produzir praticamente uma guerrilha na localidade, a fim de exercerem livremente o tráfico de drogas”. Até hoje, entretanto, Duda e Modelo estão foragidos.
A investigação foi aberta pela Delegacia de Combate às Drogas (DCOD) após os agentes terem acesso a vídeos que mostram encontros de Duda com traficantes da facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC), para negociar apoio logístico na retomada do território perdido pelo pai.
Entrada de Nem no tráfico
Foi Duda que motivou a entrada do pai no tráfico. Em 1999, quando tinha apenas 9 meses de idade, a menina contraiu uma doença rara, conhecida como histiocitose X, que afeta uma em cada 200 mil pessoas e começou a provocar o esfarelamento dos seus ossos. Para pagar os custos do tratamento da filha, Nem deixou o emprego como supervisor de equipes da empresa de TV a cabo NET e pediu um empréstimo para Luciano Barbosa da Silva, vulgo Lulu, o então chefe do tráfico na favela. Para pagar a dívida, Nem passou a fazer parte da quadrilha.
A Polícia Civil investiga as movimentações da quadrilha de Nem desde setembro de 2017, quando o traficante perdeu o controle da favela para um ex-braço direito, o traficante Rogério 157, que comandou uma invasão à comunidade. A disputa territorial provocou intensos confrontos entre criminosos e deixou mais de 30 mortos.
Mesmo dentro do presídio de segurança máxima de Porto Velho, onde cumpre pena desde novembro de 2011, Nem continua dando ordens para seu bando. Em dezembro do ano passado, a polícia já apontava Modelo como um dos participantes da guerra na favela.

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